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Não falamos de género, falamos de carácter!

Acção Social

De forma a reforçar a celebração do papel da mulher na sociedade de hoje, no início desta semana de homenagem a diversas figuras femininas de destaque no ensino superior, solicitámos a contribuição de três estudantes do P.PORTO. A Ana Luísa (presidente da FAP), a Bárbara Mendes (presidente da Associação de Estudantes do ISCAP) e a Jacinta (aluna da ESS), deram-nos a sua opinião sobre a importância da presença das mulheres, em cargos de topo, do ensino superior.


Orgulhosa do seu percurso Académico e profissional a Ana Luísa, mestranda da ESS, ocupa desde dezembro do ano passado, o cargo de presidente da Federação Académica do Porto: “É um orgulho enorme poder representar esta Academia tão irreverente e pulsante. Sempre estive ligada ao associativismo, mas a realidade da FAP é sempre mais abrangente até pelo nível de representação mais alargado. Isso implica sempre um nível de desafio pessoal e de compromisso que obriga a uma complexa gestão de conciliar as duas vertentes. Sei, porém, que o que faço como presidente da FAP também contribui para fazer de mim uma mulher mais bem preparada para o que o futuro me possa reservar.”

Com uma experiência diferente, a Bárbara, aluna e recentemente eleita presidente da Associação de Estudantes do ISCAP, fala-nos sobre o seu percurso: “Ao longo do meu trajecto sempre me interessei pelo trabalho da associação, e a minha ambição foi sempre envolver-me mais profundamente neste projeto. Hoje, como presidente da AEISCAP, a minha experiência, embora curta por ter tomado posse há bem pouco tempo, tem sido bastante enriquecedora. As prioridades têm que ser bem estipuladas, e nesta situação as duas vertentes são uma prioridade. No fundo, ser estudante é a condição primordial para desempenhar agora este cargo. Não há maior gratificação como estudante do P.PORTO do que poder representar todos os estudantes da minha instituição.

Numa perspetiva totalmente distinta, não pudemos deixar de apelar à participação de uma estudante. Jacinta, aluna da ESS e natural da ilha das Flores, nos Açores, conta-nos que “facilmente me integrei na comunidade estudantil (quer no contexto turma, escola, até mesmo noutros domínios do Politécnico do Porto, nomeadamente o SAS por frequentar uma das residências). Contudo, sinto que foi uma integração diferente à dos meus colegas por ser açoriana… significou um maior distanciamento da minha família e amigos, consequentemente uma reorganização pessoal distinta.”

Embora com vivências diferentes, todas nos sublinham a importância da presença feminina nos cargos de topo, refletindo assim sobre as atitudes discriminatórias que assolam algumas mulheres em cargos de elevada responsabilidade.

“Acredito que hoje temos condições para ultrapassar os estereótipos e que fazemo-lo começando por não nos deixarmos levar ou influenciar por eles.  Apesar de não sentir isso no meu dia-a-dia, admito que muitas mulheres ainda se vêem impedidas de chegar a cargos de liderança ou até mesmo de ter uma remuneração, para trabalho igual, igual à de um homem”, refere Ana Luísa.

No mesmo contexto, Bárbara destaca que “não é o género que faz a posição, mas sim o caráter, a personalidade, a competência, a pessoa em si. As mulheres são vistas como frágeis, como incertas porque a sua condição está diretamente relacionada com a maternidade e a sociedade vê isso como um fator eliminatório. Este é para mim o motivo mais infundado para uma mulher ser posta de parte numa decisão desta importância.”

Agora mais que nunca, já que começo a olhar para o meu futuro de forma diferente. Existem muitas regras socialmente impostas que reservam as mulheres a posições subalternas, comparativamente aos homens, aliado ao facto de algumas áreas ainda serem predominantemente masculinas”, desabafa Jacinta.

Todos os estudos que defendem que as mulheres enfrentam maiores obstáculos em cargos de chefia do que os homens, são totalmente corroborados pelas nossas entrevistadas. No entanto, estas referem que ainda há um longo trabalho pela frente…

“Sobretudo na mudança de mentalidades das pessoas. Acredito que as mulheres, pela sua competência, vão conseguindo mudar esse paradigma: e temos assistido a essa transição em vários contextos, seja nas associações de estudantes, seja no mundo empresarial”, considera Ana Luísa.

Bárbara, de forma sincera e transparente indica que “falta atitude, falta a própria mulher deixar de se ver como alguém mais fraco, e começar a ver-se como um igual. A partir do dia em que a mulher deixar de pensar que é menos simplesmente por ser mulher, isto deixa de acontecer. Isto falando na perspetiva profissional e de carreira, claro. Devemos valorizar-nos como pessoas, e valorizar o nosso papel na sociedade.”

O que falta às organizações para que nos reconheçam como género igualmente capaz é, na minha ótica, uma aceitação e disseminação da ideia que diferentes estilos podem ser adotados para liderar uma equipa ou chefiar uma empresa. Penso que uma atualização da legislação, no que concerne a uma flexibilidade e equilíbrio trabalho-vida seria um bom ponto de partida”, aconselha Jacinta.

É este paradigma que os SAS procuram inverter. Por isso é que, independentemente do género ou estrutura social, nos focamos nos estudantes como seres únicos que caminham para um crescimento e desenvolvimento integral.

Para isso procuramos estar sempre perto, PERTO DE TI!

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